Inovação de Ruptura
Uma vez perguntaram ao Clayton Christensen, "O que faz uma pessoa ser criativa e inovadora?".
Ele respondeu, "Os pais dela. Se a pessoa cresceu em uma família onde ela via os próprios pais consertando as coisas de casa ao invés de chamar um técnico para fazê-lo, essa criança cresce criativa. É super importante que os pais demonstrem para os filhos que é possível consertar as coisas, aprender como as coisas funcionam por conta própria, esse tipo de conserto doméstico estimula a curiosidade da criança. Pessoas curiosas são pessoas criativas. A criança que não teve uma infância assim, cresce pouco ou nada criativa. Uma vez adulto, você não consegue torná-la criativa. Portanto, se você procura uma pessoa criativa, vasculhe a infância dela. Pergunte sobre a relação dela com os pais, pergunte sobre o que os pais lhe ensinaram, experiência de infância etc."
Hoje, Clayton falou sobre ruptura das coisas. Confira.
“As melhores oportunidades estão hoje nos menores mercados”, disse Clayton Christensen, durante a primeira palestra do segundo dia da ExpoManagement 2008. Professor na Harvard Business School, consultor e autor de O Dilema da Inovação: quando novas tecnologias levam empresas ao fracasso, Christensen falou sobre como criar uma organização que propicie o crescimento de ruptura.
O palestrante explicou que há dois tipos de inovação de ruptura. O primeiro é o das empresas entrantes no mercado, que optam por focar uma pequena parcela dele, atendendo clientes que já são servidos pelos concorrentes estabelecidos. Neste caso, o entrante concorre com uma estratégia de baixo custo e, por algum tempo, conseguirá concorrer e obter lucros.
A segunda é a ruptura de novo mercado, na qual se concorre com o não-consumo, isto é, oferecendo o produto a pessoas que até então não eram consumidores, muitas vezes a uma qualidade inferior, mas a um preço acessível. “O Brasil tem uma grande quantidade de não-consumo”, salienta Christensen.
Ao exemplificar oportunidades de aplicação de inovação de ruptura, Christensen cita o caso da energia verde. Para ele, será praticamente impossível, no curto prazo, substituir a energia que se usa na América do Norte para iluminar edifícios 24 horas por dia. Entretanto, é crescente o consumo de energia solar na África, por exemplo. É aconselhável começar pelos mercados não convencionais, para, aos poucos, atingir os demais.
Christensen explica que é um erro comum desenvolver uma tecnologia e vendê-la para clientes tradicionais. “As melhores oportunidades estão nos menores mercados, mas não pela análise financeira tradicional”, alerta. Segundo ele, os princípios das finanças fazem os profissionais estudar apenas os custos marginais e decidir em função deles. Assim, acaba sendo preferível utilizar uma capacidade ociosa a iniciar uma nova unidade para atender a um novo mercado.
“Se eu digo a um cliente que é necessário ele montar uma nova equipe de vendas para vender um produto inovador, porque os antigos funcionários não saberão como fazê-lo, ele diz que isso é caro; o mesmo acontece se eu digo que ele precisa de uma nova marca, porque a marca tradicional não serve para uma ruptura. Porém, uma pequena empresa, sem dinheiro nenhum, faz tudo isso”, relata o professor. “Interpretar a ruptura em termos tecnológicos e não do modelo de negócio e de sua proposição de valor sempre leva ao fracasso oneroso.”
O palestrante também alertou para o erro de segmentar o mercado em função de tipo de cliente ou do tipo de produto. “As pessoas buscam produtos e serviços que as ajudem a executar tarefas de sua vida”.
A partir de um produto simples como o milkshake, Christensen detalha seu ponto.
Conta que uma das redes de fast-food, ao analisar as vendas de milkshake, buscou entender qual tarefa as pessoas tentavam executar com aquele produto. Constataram que a bebida era muito vendida pela manhã e que os norte-americanos que faziam longas viagens para chegar ao trabalho consumiam a bebida enquanto dirigiam, lentamente, pois ela é densa. Essas pessoas queriam algo que os sustentasse durante toda a manhã e os distraísse na longa viagem.
Os concorrentes da bebida, pela análise da atividade, não eram os produtos equivalentes de outras redes outros itens de café-da-manhã. No entanto, também se constatou que os milkshakes eram vendidos, nos finais de semana, às crianças que iam jantar. Elas não conseguiam tomar toda a bebida, tampouco os pais tinham paciência para esperar que terminassem de sorver um líquido tão espesso e parte dele era jogado fora.
Assim, o que se viu foram duas atividades distintas para o mesmo produto. No exemplo citado por Christensen, aos apressados que precisam de um café-da-manhã “para viagem”, foi colocada uma máquina, do lado de fora do restaurante, para poupar o tempo dos viajantes.
“Empresas que segmentam o mercado por tarefa constatam que ele é muito maior do que imaginavam, mas sua participação nesse mercado acaba sendo menor”, conclui o pesquisador. fonte:HSM




Simplesmente brilhante!
Posted by: Fernando Landim | 12/11/2008 at 07:49 AM
"Uma vez perguntaram ao Clayton Christensen, "O que faz uma pessoa ser criativa e inovadora?".
Ele respondeu, "Os pais dela"
A mesma praça... o mesmo banco... as mesmas flores e o mesmo jardim...
Forte abraço,
Gabriel Peixoto
HSM: o maior evento CTRLC+CTRLV do Mundo.
Posted by: Gabriel Peixoto | 12/11/2008 at 08:50 AM
Concordo com o Gabriel. O mundo corporativo não traz nada de novo, a minha percepção é que os microempreendedores é que fazem algo de diferente, inovam, como foi devidamente reconhecido pelo Clayton Christensen. Isso em todas as áreas...
Posted by: Lucas Oleiro | 12/11/2008 at 09:22 AM
"Os pais dela" ???
É o tipo de resposta superficial e imbecil.
Então porque, numa mesma família, um irmão é mais criativo e inovador do que outro?
Jogar os méritos ou defeitos nas costas dos pais, é o mesmo que esses imbecis "pseudo-religiosos" fazem ao dizer que os problemas de determinada pessoa é devido ao "karma" dela!!
Só se for o Karman-ghia....
O mundo está cada vez mais ignorante porque as pessoas são incapazes de pensar antes de emitir alguma opinião.
Posted by: Godoy | 12/11/2008 at 10:50 AM
Também discordo de que sejam os pais os principais influenciadores para que os filhos sejam criativos e inovadores.
Um exemplo clássico é o Gabriel, tanta inspiração que se tem quando de ouve Pinduca, e me sai essa ANTA sem nenhuma veia para inovação e criatividade, por exemplo.
Posted by: PINDUCA | 12/11/2008 at 01:07 PM
É isso mesmo! Os micros empresários, pequenos empreendedores, se ferram, inovam e se viram. Depois vem um cara "estudado", estuda os casos de sucesso, faz um livrinho, uns slides e palestras, com idéias que nunca serão novas. Pois, quando os "consultores" aprenderem essa e a coisa toda, o cara pequenininho lá da ponta, já tá mudando tudo de novo, por que suas idéias já tá tudo "crtl c/crt v".
Eu mesmo tiro minhas conclusões. Porém, eu sei que sou muito abaixo do que poderia ser.
Por isso, É IMPORTANTE conhecer (e não necessáriamente aplicar) as opiniões sobre esses assuntos velhos, das pessoas ditas cultas e inovadoras. Como eles tem tempo, analisam e dão o verdadeiro "feedback" no mundo dos negócios.
Agora, quem realmente quiser botar pra ferver, tem que ter um fogo a mais. As estórinhas (como essas fábulas que vivem enchendo e-mails e fóruns) estão tornando as pessoas artifíciais. Acho que tem gente que nem le o que "crtl v" , mas tira conclusões baseados, prinicpalmente nas experiências alheias.
Um abraço do Toni.Bili, que conta os dias para as melhores férias deste ano.
Posted by: Toni.Bili | 12/11/2008 at 06:25 PM
Eu acho que os pais têm responsabilidade.
Mas eles podem apenas estimular e MOSTRAR O CAMINHO. Nunca levar até o objetivo.
A criatividade pode ser estimulada, como bem dito acima, quando vemos nossos pais fazendo atividades domésticas, consertando aquilo que está estragado e etc. Mas SEM TREINO NÃO EXISTE CRIATIVIDADE!!
Aos pais, coube a responsabilidade de estimular, à criança, ao filho, cabe a prática, o treino e o aperfeiçoamento. Assim como na leitura, eu acredito que um filho que convive com pais multi-facetados tem muito mais chances de ser criativo do que aquele que não foi incentivado por seus pais.
A educação é sobre INCENTIVO. Não existem ensinamentos. As pessoas escolhem ir para este ou aquele CAMINHO por VONTADE PRÓPRIA. Cabe apenas aos pais, incentivarem as coisas certas e as atitudes saudáveis.
Afinal, como eu gosto de dizer, a responsabilidade pelo sucesso é COLETIVA, de todos; a culpa pelo fracasso é INDIVIDUAL!!
Att..
Enrico Cardoso.
Nem 08. Nem 80. 44!!
Posted by: Enrico Cardoso | 12/11/2008 at 08:56 PM